"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

terça-feira, 8 de abril de 2014

Filosóficas

O ESQUECER QUE FAZ LEMBRAR

"Teve uma crise nervosa, durante a pré-história, porque esqueceu o celular em casa." Manchete impossível.

Interessante como pensar ressignifica. 

Quantas coisas tornamos imprescindíveis sem ser, e a partir disso sofremos sem sofrer, e dependemos sem depender?

Esqueci o celular em casa, e me dei conta de que preciso esquecer mais vezes, no exercício de depender menos, e sofrer menos, pelo que não é imprescindível.
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terça-feira, 1 de abril de 2014

Desabafos de Uma Educadora em Crise

A FALÁCIA DA SECA

Enquanto a Caatinga expressava com o seu cinza o esforço para escapar à terrível estiagem, que perdurou até o início de 2013, a fazenda irrigada revelava a falácia do discurso da Seca, e do Nordeste inviável.

Para quem existe a seca? Para as populações abandonadas pelo Estado brasileiro. Para quem não existe? Para os poderosos que dominam o Estado.

O preconceito contra o Nordeste é uma construção histórica, usada para legitimar o lugar de subalternidade, para o qual fomos relegados. Como contra todos os preconceitos, lutemos contra este!

Foto tirada em Março/2013.
Ribeira do Amparo - BA.
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segunda-feira, 31 de março de 2014

Filosóficas

O TEMPO DE CADA UM

Todo dia simboliza um recomeço. Toda semana simboliza um recomeço. Todos os meses e anos simbolizam recomeços.

... E é pensando assim que a gente recomeça!

Alguns mais rápidos, na perspectiva dos dias, outros mais lentos, na perspectiva dos meses ou anos.

O importante mesmo é respeitarmos os ritmos de cada um, o nosso ritmo, porque recomeçar verdadeiramente exige amadurecimento e, como mostra a natureza, os tempos são distintos para cada flor e fruto, para cada ser.

Eu, por exemplo, sou lentinha.

domingo, 30 de março de 2014

Amadora de Fotografia

De longe via os rodopios, no palco de areia, para a platéia imaginária. De perto vi o tutu de palha, e o sonho da menina bailarina desenhado numa linda tela encantada. Encantei-me!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Desabafos de Uma Educadora em Crise

SEM TEMPO PARA ACREDITAR

Como uma estratégia de sobrevivência psicológica, coloquei na minha mente que iria ser professora, "apesar de".

Apesar da desvalorização da nossa profissão
Apesar do salário da nossa profissão
Apesar da infraestrutura do nosso local de trabalho
Apesar das salas cheias e inquietas
Apesar de tudo isso e mais um pouco

Inclusive, apesar mas sem pesar. Ou seja, sem ir para a sala com um eterno lamento, na ladainha dos obstáculos. Amo dar aulas, acredito no que faço. Entretanto, diante da delicada realidade apresentada, não há como não dizer que o exercício docente é uma luta, e como toda luta, tende a cansar.

Ontem, por exemplo, fiquei indignada ao receber a confirmação de que deveria liberar os alunos do Colégio Estadual Josefa Soares às 22:00, por determinação da Direc. A minha aula vai até 22:30h, porém devo liberar trinta minutos antes (dizem alguns, porque o estado não quer pagar adicional noturno). Começar a aula mais cedo é tarefa difícil, pois envolveria mexer nos transportes que trazem os alunos, nos três turnos, das diversas localidades do município.

Em suma, são apenas duas aulas por semana, para o Ensino Médio, de apenas 40 minutos, mas temos que abdicar de 30 minutos, em nome do mentiroso sistema educacional público deste país. Diante disso, o meu edifício de crença na docência, se abala profundamente. 

De maneira irônica, a aula foi interrompida enquanto trabalhava um texto sobre Copérnico, ressaltando como os seus estudos revolucionaram a forma de ver a terra, e por conseguinte o mundo. Frutos do sistema educacional que temos, a turma estava com dificuldade para entender o conteúdo, então acompanhava artesanalmente a leitura e interpretação. Paramos antes do texto revelar que a revolução foi possível.

Enfim, não são os míseros trinta minutos, que me indignam como professora, como cidadã, como ser humano, mas a certeza de que o tempo passa, e as coisas não melhoram, do ponto de vista da justiça social, da ética e da dignidade, no país da Copa e da Olimpíada. Lugar em que a educação continua, "apesar de".
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quarta-feira, 26 de março de 2014

Desabafos de Uma Educadora em Crise

MUITO ALÉM DOS NÚMEROS

Quando me dizem que a "bomba atômica" salvou vidas, ao possibilitar o final da II Guerra, faço a seguinte pergunta, para iniciar o debate:

Se a sua mãe estivesse lá, pensaria da mesma forma? Aceitaria que matassem a sua mãe, para salvar outras tantas pessoas?

A resposta é tão difícil quanto medonho foi o "gênio" humano ter criado, e utilizado algo tão extraordinariamente destrutivo. 

Portanto, baseados em cálculos de um futuro incerto, os Estados Unidos tentam justificar o injustificável. Alguns, infelizmente, incorrem no erro de acreditar numa fala parcial, superficial, simplista e simplória.
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