"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Guardadora de Utopias

NAVEGAR É PRECISO

Hoje foi dia de seminário, como sempre os tímidos sofrem. Numa turma uma aluna chegou a chorar, de nervoso.

Para acalmá-la contei ao grupo sobre uma apresentação que participei, na faculdade, bastante desafiadora para uma colega nossa.

Ela também ficou nervosa, chegou a chorar, mas com o apoio do professor Gregorio, do grupo e da turma, conseguiu se apresentar.

Como o seminário era sobre Expansão Marítima, e cabia a mim fechar a apresentação, aleguei que aquele choro da nossa colega nada mais foi do que uma reverência ao grande poeta português, que sobre este período da história havia escrito,

"Ó mar salgado
Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!"

Rimos todos!

Ficamos felizes por tê-la visto navegar de maneira bravia, felizes por não a abandonarmos naquele barco, felizes por respeitarmos o jeito de ser de cada um.

Respeito que aconteceu novamente hoje, respeito que defenderei sempre.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Guardadora de Utopias

A UTOPIA DE UM NOVO SER

A educação me fascina pela sua capacidade de pensar e, com isso, repensar, a própria definição de ser humano. Para ela nada pode ser óbvio, tudo deve ser objeto de questionamento, pois somos tremendamente falhos e tendemos a nos iludir com os nossos próprios discursos e artifícios.

A bem da verdade falhamos até agora em quase tudo, do sistema feudal ao capitalista, passando pelo socialismo, pelas religiões que provocaram e provocam guerras, pela instituição do escravismo, pela racialização das relações humanas, pelos preconceitos monstruosos que matam sonhos e pessoas, pela desigualdade feroz que rouba oportunidades, pela destruição do planeta, por tantas e absurdas coisas protagonizadas durante a curta história humana na terra.

Apesar de me estarrecer e compreender o imenso desafio da nossa humanidade, frente as próprias contradições e incoerências, ser educadora possibilita colocar em pauta tudo isso, acreditando na reflexão como poderoso instrumento para se chegar, quem sabe, aquela nova definição de ser humano.

Um ser humano mais ciente dos seus erros, limites e finitude, mais comprometido em errar menos. Um pouco menos quem sabe.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Desabados de Uma Educadora em Crise

O QUE PENSARIA CRISTO DO CRISTIANISMO

Domingo pela manhã quando fui levar o lixo no depósito, encontrei um adolescente e um menino sentados. Quando desci do carro o menino disse, "me dê tia, deixe que levo!". Constrangida por perceber que o pedido era pra poder escolher, dentre o material descartado, algo que pudesse lhe render alguns trocados, segui com os sacos acompanhada por ele. Lhe dei bom dia e fui embora. 
A desigualdade social é algo que me agride profundamente.

Esta cena, em pleno domingo de Páscoa, no maior país que segue o cristianismo, no mundo, me remete a uma pergunta inquietante:

Como podemos ser um país de base cristã, se ainda existem cenas assim?

Políticos, empresários, anônimos, nas mais diversas situações, evocam o nome de Jesus tantas e tantas vezes, mas o menino ainda busca dignidade catando restos. O mesmo menino que desejaremos ver trancafiado quando adolescente, caso o lixo não renda suficiente e ele por des-ventura venha a praticar algum ilícito.

O que pensaria Cristo de tudo isso? O que a escolha do cristianismo está promovendo de transformação social, a partir de ações engajadas em torno da ideia de que somos todos irmãos?

Aliás, somos ou não somos todos irmãos? As estatísticas dizem que sim, as estatísticas dizem que não.

domingo, 20 de março de 2016

Meus Poemas

NA RUA

Tem fascista 
Comunista 
Tem golpista
E democrata

Tem anarquista
Republicano
Tem liberal 
E até psicopata

Todo mundo
Tem razão 
E ninguém
Ouve
Ninguém

E se ouve
Ouve apenas 
Aquilo que
Lhe
Convém

sexta-feira, 18 de março de 2016

O BRASIL É UM ÔNIBUS ENGUIÇADO NO MEIO DA NOITE CONFUSA

Na última viagem que fiz com os meus alunos da escola pública para Salvador, depois de muitos contratempos, quando estávamos na BR 324 o ônibus desliga o motor e é levado pelo motorista para o acostamento. Eu havia acabado de recostar a poltrona, estava esgotada fisicamente e pensava que iria descansar um pouco, depois das 48h de correria intensa, para dar conta de tudo.

Já era noite e a situação começou a gerar reações entre os estudantes, antes mesmo do ônibus parar. Então levantei e falei de maneira firme que todos se acalmassem naquele momento, pois confusão não resolveria nada. Descobrimos por fim, que havia faltado combustível no veículo, por estar com um problema no medidor. Alguns queriam culpar o motorista, mas novamente me posicionei contrária a isso, pois também não ajudaria em nada naquele momento.

Permanecemos parados por horas. Depois de mais contratempos (via Bahia que não chegava, motorista que não tinha dinheiro para comprar combustível, motor que não pegava por causa do ar que entrou), finalmente tínhamos o ônibus de volta. Fui a última a entrar no veículo, estávamos todos sãos e salvos. Em momentos de crise, mais do que em qualquer outro momento, somos confrontados com a nossa capacidade de discernimento e controle emocional.

Este episódio do ano passado me veio a cabeça, como metáfora do que estamos vivendo agora. O Brasil é um ônibus enguiçado, culpamos a empresa (PT) e a motorista (Dilma). Em meio ao caos do momento, acreditamos que atacá-los é a saída, mas estamos parados no meio da noite, pior momento do dia para enxergar bem as coisas. Fora isso não temos em vista quem a substitua facilmente, seriam bons motoristas Temer, Cunha, Calheiros?

Além disso, nós escolhemos a empresa (ou partido, no caso), tivemos liberdade para isso, temos responsabilidades. Além disso, o nosso medidor do combustível da corrupção estava quebrado, sempre viajamos sem tentar consertá-lo, mas agora queremos resolver tudo no meio da noite confusa. Não conseguiremos desta forma. Precisamos agir com calma, porque raiva não ajuda em nada neste momento.

Atacar odiosamente o PT, Dilma, Lula, tentando quebrar o veículo, atear fogo na Constituição, só nos deixará com o Ônibus-Brasil, ainda mais danificado. A ideia é que ele fique bem.

quarta-feira, 16 de março de 2016

DESABAFOS DE UMA EDUCADORA QUE AMA O BRASIL

Não nasci para me sujeitar a qualquer espécie de manipulação, tampouco me render ao raciocínio fácil.

Neste momento em que o meu coração se entristece ao ver tudo isso, lamento ver colegas, alunos, amigos, conhecidos, compartilhando informações desencontradas e incitando, talvez sem se dar conta dos potenciais desdobramentos nefastos, tanto sentimento negativo, tanta energia ruim, ÓDIO EM ESTADO BRUTO E EMBRUTECIDO.

Ninguém vai injetar ódio no meu coração!

Ninguém vai me fazer amar para além da razão!

Gostaria muito de acreditar que tudo isso está acontecendo por um motivo nobre e justo, mas como posso fazê-lo quando tenho que acreditar que o mesmo Bonner que pediu desculpas ao país pelo apoio da Globo à Ditadura (https://www.youtube.com/watch?v=9OCvABy2pBg), é o mesmo que serve de depositário de vazamentos que visam incendiar o país?

“Alô, alô Marciano, aqui quem fala é da terra, pra variar estamos em guerra!”

Você tenta ponderar a situação (PORQUE ESTÁ TUDO OBSCURO E CONFUSO), questionam a sua honestidade, questionam a sua competência e idoneidade, sentem raiva, vociferam, sentem o desejo de enfiar na sua cabeça aos golpes de certeza uma verdade que é tão frágil quanto as emoções anormais de quem a tem.

Quem vai controlar um país de 200 milhões de habitantes quando resolver se levantar? Como controlar um país que se levanta com ódio, quando este ódio se encontrar com outros ódios latentes? E se a periferia resolver descer para se juntar ao movimento todo, mas faça a mesma leitura apressada que a classe média e alta anda fazendo agora: Todo político é corrupto, merece cair mesmo sem importar os meios, diz a classe média e alta. Todo político é rico e todo rico é corrupto, pode pensar a periferia!

Vamos então fazer justiça e tomar banho de piscina com o sangue e jogar tênis na quadra com a cabeça de todos eles, pensariam os verdadeiros excluídos deste gigante pela própria natureza!

Não brinquem com a história, não sejam crianças insensatas fazendo roleta russa! Hoje alunos de uma escola particular me disseram que alunos de uma escola pública jogaram pedras neles, enquanto passavam. Quantos ódios gritam em silêncios amordaçados, neste país tropical?

Quem garante que não teremos um banho de sangue? Nas jacqueries medievais, revoltados, os camponeses usavam as suas foices para arrancar a cabeça dos nobres, detentores do poder político e econômico da época, em eventos avassaladores! O ÓDIO NOS FAZ PERDER O CONTROLE e, convenhamos, a periferia tem muito mais motivos para ter raiva do que qualquer um de nós que não está nela.

Desejo profundamente que o Brasil não entre em convulsão social, e atropele novamente a sua trajetória já tão sofrida. Espero que possamos escolher mil vezes o diálogo, os trâmites democráticos, mesmo que isso demore mais alguns meses (afinal, já esperamos quinhentos anos)!

Por favor ponham a mão na cabeça e percebam que o que está em jogo não é um homem, não é um partido, é um país, somos todos nós!

EQUILÍBRIO, eis a palavra-caminho!!!!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Sentimentalidade

Uma Carta para Thiago


Foi inusitado o nosso último encontro. Estava indo para Ribeira e observei um carro preto logo atrás, que pelas irregularidades da estrada deixou cair um objeto. Inquieta, queria logo avisar ao motorista, mas estava deserto, fiquei com receio de parar. Nas primeiras casas à frente parei no acostamento e dei com a mão, o carro foi diminuindo a velocidade e de dentro ouvi um "Daaaaai" típico seu, acompanhado do peculiar sorriso de menino.

Falei do objeto e você voltou para tentar encontrar. Depois disso por várias vezes quis te perguntar por aqui se o havia encontrado, mas terminei não fazendo. Uma ilustração perfeita do que sentia com a sua presença, você era um ser em busca. E estar em busca é ser habitado por inquietações, medos, é muitas vezes se sentir perdido, mesmo que tenhamos tantas placas a nos apontar a direção.


Agora com o cessar das imperfeitas estradas terrenas, desejo do fundo da minha alma que você encontre o amor divino, que você se encontre e permaneça em comunhão, inteiro, em paz. Não se preocupe que vou ler o livro do Bill Brison que você me indicou, deixando-me a possibilidade de mais um dialogo contigo, menino do sorriso, da busca, do carinho e da inteligência.

Sinta-se abraçado! Siga bem, estaremos aqui em orações por você.