"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Nietzsche

Formspring

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Guardadora de Utopias

SÓ A POESIA NOS SALVA

Estou trabalhando com Poesia e História, nas turmas do Segundo Ano, do Ensino Médio, em Ribeira do Amparo. 

Discutindo Colonização, coloquei no quadro o poema "Erro de Português", de Oswald de Andrade, e perguntei a Luana: 

Qual foi o erro do português?
- Vestir o índio, ela responde, compreendendo a imposição equivocada e violenta, de uma cultura sobre a outra.

Educar é encantador!

O poema:

"Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português"
.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Guardadora de Utopias

AMAR E MUDAR AS COISAS

Às vezes as pessoas usam como argumento para te fazer desistir, exatamente aquilo que te faz continuar. Por exemplo, quando me falam sobre os inúmeros problemas da Educação, no Brasil, isso não me faz pensar em sair dela, pelo contrário, são eles que me dão a certeza de que preciso continuar, lutar dentro de uma estrutura carcomida, pois ainda mais relevante é a minha função social, em prol da coletividade.

Como diz o poeta, "amar e mudar as coisas me interessa mais".

Foto: Colégio Estadual Josefa Soares de Oliveira - Ribeira do Amparo/BA

domingo, 7 de abril de 2013

Guardadora de Utopias

SEU FIRMINO
O brasileiro de Maiakovski

Ele nasceu sem os movimentos das pernas, dos joelhos para baixo, e ultrapassou esta realidade se tornando carpinteiro, pedreiro, lavrador, sanfoneiro, e dedicando toda a sua vida ao trabalho, feito com muito amor e alegria.

Seu Firmino é o homem feliz, que o poeta russo Vladimir Maiakovski, dizia existir no Brasil. Porém, a felicidade deste homem do povo só se fará completa quando conseguir a sanfoninha de que tanto fala, pois teve que vender a sua quando o fole furou, e ele não teve dinheiro para fazer o reparo.

Este pequeno vídeo é o registro da história emocionante de um nordestino, de 63 anos, exemplo de superação e amor a vida, que apesar de todas as dificuldades, tem como marcas a alegria, a felicidade.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Desabafos de Uma Educadora em Crise

"SANTA" IGNORÂNCIA

Algumas pessoas, dentro da mais profunda superficialidade, ou ignorância, querem tirar o foco das discussões sobre preconceito e violência, com coisas do tipo: 
  1. "E se eu for discriminado, por ser branco, posso processar por racismo?" 
  2. "A Lei Maria da Penha, não deveria punir a mulher que bate em homem, também?" 
  3. "Se eu não posso falar contra os homossexuais, xingar, e bater, não estaria sofrendo heterofobia?" 
Ao invés de fazerem perguntas tão simplórias, por que não fazem outras, pautadas na mais cruel realidade, como estas? 

  • Quantos pessoas foram espancados, no Brasil, por serem heterossexuais? 
  • Quantos pessoas, foram mortas, ano passado, por serem heterossexuais? 
  • Quantas pessoas foram barradas, em determinados recintos, por serem brancas? 
  • Quantas pessoas perderam vaga de emprego, por serem brancas? 
  • Quantas pessoas foram maltratadas, na rua, na escola, nas senzalas, nas fazendas, por serem brancas? 
  • De quantos em quantos segundos um homem apanha, de uma mulher, por ser homem? 
  • Quantos homens foram assassinados, por mulheres, por serem homens? 

Alguém ainda não sabe a resposta? Preencha a lacuna com ZERO, e se sinta convidado a analisar atentamente os dados, a seguir, 

  • Foram 338 brasileiros que morreram em 2012, por serem homossexuais (fora o que não entrou para a lista oficial). 
  • Aproximadamente uma em cada três mulheres pesquisadas em São Paulo e Pernambuco, diz já ter sofrido algum tipo de violência cometida pelo parceiro. 
  • A cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil. 
  • Negros e pardos recebem metade de salários de brancos, diz IBGE 

Portanto, urge rever os pré-conceitos, porque a realidade nua e crua é assassina, e não se mata apenas com armas de fogo, mas também com palavras, gestos, conivência! Ninguém mais acredita que Deus determinou que negros, homossexuais e mulheres, sejam um erro, estejam em desacordo com o ideal de moral, com a existência, como durante muito tempo os que se beneficiaram com isso (brancos, homens, heterossexuais), fizeram parecer! 

Sendo assim, preconceito contra homens, brancos, heterossexuais, é balela, conversa pra boi dormir, barulho para que não se ouçam os gritos das vítimas da violência, e da necessidade de um novo tempo, em que a diversidade seja assumida como uma das mais belas características da vida, da humanidade, mas que a "santa" e monocromática ignorância, de alguns, não quer enxergar. 

..........................................................................................................................................

"Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final."
.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Guardadora de Utopias

FIRME 
FIRMEZA 
FIRMINO 

Quando trabalhava no Banco do Brasil, de Ribeira do Amparo, como menor auxiliar, vez em quando o via chegar. Sempre me chamou atenção. Descia e subia do cavalo com muita destreza, andar resoluto, filho pequeno sempre ao lado. Seu Firmino, me disseram o nome, e me disseram que ele trabalhava no cabo da enxada arrancando topo (a profunda raiz das árvores cortadas da caatinga), trabalho que quase ninguém queria fazer. Fiquei ainda mais encantada, intrigada com uma existência que tinha tanto a dizer, tanto a me dizer. 

Mas os anos foram passando, sai do banco, e como vocês sabem essa coisa de tempo mais afasta que aproxima as pessoas. Assim aconteceu comigo e com Firmino, embora ele não soubesse disso, pelo menos não até hoje. 

Como a sua imagem recorrentemente surgia nas minhas memórias, resolvi procurá-lo, fui à casa dele falar o quanto o admiro, desde a minha adolescência. Lá, ele me contou alguns tesouros, falou que é carpinteiro (profissão aprendida com o pai), pedreiro (aprendeu com os amigos), e faz qualquer trabalho de roça, já foi amansador de burro brabo, "subidor" de coqueiro e, na mais apaixonada das falas, se revelou tocador de sanfona. Sobre esta última, lamentando disse que vendeu o instrumento, pois havia quebrado, e não tinha condições de consertar. 

Continuamos conversando, dentro da casa construída com as suas próprias mãos. Ele me disse que nasceu em outubro de 1950, está com 63 anos, e anda de joelhos desde criança, mas nunca deixou de fazer nada por causa disso. Como pedreiro já construiu mais de vinte casas, tem cinco filhos, esposa, e recentemente teve um passamento que o deixou com a memória um pouco falha. Mais adiante, falou da saudade da sanfona, e quando ela aperta muito, vai na casa de um amigo tocar. Ainda sonha poder ter uma, mesmo velha, uma bandinha quem sabe, e tocar mesmo sem ganhar nada, pois o que gosta mesmo é de ver a alegria das pessoas. 

Viu a minha.

P.S. - Em breve compartilho com vocês a filmagem.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Desabafos de Uma Educadora em Crise

DESEDUCAÇÃO


E o Professor Fulano?

- Ele é engraçado!

E o Professor Sicrano?

- Ele é broder!

E o Professor Beltrano?

- Ele é engraçado e broder!

Como diria Lima Barreto, "o Brasil não tem povo tem público". Desde cedo.
.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Guardadora de Utopias

SOBRE RACISMO E DESIGUALDADE

"A elite branca e racista do Brasil só se relaciona com os negros no cotidiano doméstico, quando dá ordens para o trabalho de limpeza de suas “casas grandes”, ou quando dá ordens para os seus motoristas, ou quando manda “limpar melhor” a calçada. O fim dessa relação pode acontecer quando negros começarem a frequentar Universidades, até então “território sagrado” dos filhos dos brancos, proprietários e cidadãos e cidadãs “de bem”. Uma ameaça ao “mérito” do jovem que gabaritou a prova de medicina?

Quem vai limpar a “casa grande” se agora os negros frequentam universidades? São questões que incomodam a elite branca, proprietária e racista do Brasil. Essa realidade não é um problema biológico ou genético, é um problema político de reprodução da desigualdade que precisa urgentemente ser enfrentado com políticas afirmativas, que resgatem a dívida histórica do país para com a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, negros e negras que construíram e constroem esse país."

(Kabengele Munanga, doutor em Antropologia da USP)